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Vida Municipal | 18-11-2009
Paredes oferece mais 40 toneladas de equipamento a Timor

Sucesso do projecto “Uma Fábrica para Timor” permitiu o carregamento, hoje, de quinto contentor para a unidade fabril de Baucau patrocinada pela Autarquia

Graças ao sonho de dois homens – o autarca Celso Ferreira e o padre Feliciano Garcês – e ao espírito solidário das empresas do Concelho de Paredes, o projecto “Uma Fábrica para Timor” é hoje uma realidade na longínqua Diocese de Baucau. Lançado em Novembro de 2005, o programa tem sido referenciado pelo Governo como um modelo de responsabilidade social e empresarial e um exemplo a seguir por outros municípios na área da política externa nacional.

No âmbito do projecto “Uma Fábrica para Timor” que a Câmara Municipal de Paredes lançou, incentivou e vem promovendo desde Novembro de 2005, foi hoje carregado e selado o quinto contentor que a Autarquia e a Associação para a Cooperação com Timor vão enviar para a Diocese de Baucau – a segunda maior cidade de Timor. Destino final? O Centro Tecnológico de Baucau – Rota dos Móveis, a primeira unidade ligada ao sector da madeira e mobiliário a funcionar naquele território desde Março de 2007.

Iniciativa conjunta do actual presidente da Câmara Municipal do Paredes, Celso Ferreira, e do padre Feliciano Garcês, interlocutor entre a Autarquia e a Diocese de Baucau, o projecto designado “Uma Fábrica para Timor” partiu de um convite dirigido às mais de 1200 fábricas de mobiliário existentes no Concelho, no sentido de cederem gratuitamente equipamento fabril, em bom estado de funcionamento e conservação, com vista à criação da primeira unidade industrial de raiz no sector do mobiliário em Timor.

O convite resultou na adesão de 28 empresas, sendo o primeiro contentor enviado em Fevereiro de 2006, contendo maquinaria e equipamento diverso avaliado em quase 50 mil euros.

DO SONHO NASCE A OBRA
Impossível de concretizar no pensamento de muitos, dado o débil contexto social e político da jovem Nação, a própria distância – quase do outro lado do Mundo! – e outros imponderáveis burocráticos e logísticos, o certo é que, pela congregação de esforços e vontades, a fábrica ergueu-se e é hoje uma realidade na Diocese de Bacau – a cerca 90 km da capital Díli. Ocupando uma área de 1.570 metros quadrados, foi oficialmente inaugurada a 19 de Março de 2007 pelo Presidente da República de Timor-Leste, José Ramos Horta, e o presidente da Câmara Municipal de Paredes, Celso Ferreira.

Asseguradas as máquinas e as tecnologias necessárias ao seu funcionamento e, não menos importante, a formação aos trabalhadores, a fábrica rapidamente se constituiu como uma referência e motivo de orgulho no país, empregando várias dezenas de trabalhadores e formando mais de uma centena de novos operários anualmente.
Para além dos 50 postos de trabalho directos, estão actualmente envolvidas no Centro Tecnológico de Baucau, directa ou indirectamente, mais de 500 famílias.

600 MIL EUROS DE INVESTIMENTO
Em resultado deste investimento, que ultrapassou já os 600 mil euros, a unidade fabril, baptizada de Centro Tecnológico de Baucau – Rota dos Móveis, é hoje capaz de assegurar a completa criação e produção de linhas de mobiliário e carpintaria, tendo já equipado diversos organismos oficiais, entre escolas, embaixadas, tribunais, hotéis e até mesmo o gabinete do Presidente da República, num projecto que Ramos Horta designou de “verdadeiro milagre económico na região”.

“Se outros municípios fizessem o mesmo, em outros sectores de actividade, do calçado ao têxtil, Timor dava um salto económico inimaginável em poucos anos”, admite, por sua vez, Celso Ferreira, o presidente da Câmara Municipal de Paredes, lembrando que “organismos oficiais de vários países estão ainda a tentar perceber como foi possível montar este projecto com tão pouco investimento e sem passar pelos tradicionais canais de cooperação”.

Ainda de acordo com o edil, “trata-se de um projecto de cooperação e de responsabilidade social dos empresários da Rota dos Móveis para um povo irmão que necessita de ferramentas para se desenvolver. A médio prazo, pode acontecer em Timor o que aconteceu em Paredes: o crescimento e expansão do sector industrial, até porque têm matérias-primas e são criativos”.

Fruto deste projecto “temos sido contactados por inúmeros empresários que têm tecnologia que já não usam e que gostariam de a doar para projectos similares”, acrescenta.

Como chegou a elogiar o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, “com este projecto notável, Paredes prestou um grande serviço à política externa portuguesa”.

QUINTO CONTENTOR A CAMINHO…
Por força deste programa, único no país, foram já carregados e enviados para Timor quatro contentores de 40 toneladas cada, entre Fevereiro de 2006 e Novembro de 2008. O sucesso desta iniciativa levou a que um quinto contentor fosse hoje, quarta-feira, carregado no Centro Tecnológico de Lordelo e de novo endereçado à Diocese de Baucau, contendo equipamento para o Centro Tecnológico e material diverso para várias outras instituições timorenses, no valor global de 45 mil euros.

… E MAIS DOIS À ESPERA
Mas as boas notícias não se ficam por aqui. Provando que o espírito solidário está bem presente no coração dos empresários de Paredes, seria já hoje possível carregar na totalidade dois outros contentores, de idêntica capacidade, com mais maquinaria e equipamento, agora para desenvolver a vertente da formação e possibilitar a expansão do negócio a outros distritos.

“Dependendo da resolução de alguns aspectos legais e burocráticos, os sexto e sétimo contentores seguirão para Timor, se possível, e assim esperamos, ainda antes do final deste ano”, confirmou o padre Feliciano Garcês.




● Este quinto contentor foi carregado, em traços gerais, com quatro máquinas de grande porte, consideradas essenciais para a laboração e expansão da fábrica de Baucau, maquinaria de acabamento (como furadores e lixadeiras) e outros consumíveis (cola, tinta, parafusos, etc);

● Seguem igualmente viagem no interior do contentor material diverso para uma Gráfica em Baucau (papel, tinta, impressoras), 20 máquinas de costura (eléctricas e manuais), além de roupa, calçado, livros e manuais escolares;

● Logo que foi carregado e selado, o contentor seguiu para o Porto de Leixões. Amanhã mesmo inicia a sua longa viagem rumo à capital Díli, onde deverá chegar dentro de 35 a 40 dias. Já em Timor, precisará de mais uma semana até chegar ao seu destino final.

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